Video by oliverstuenkel
Oliver Stuenkel · 393 words · 2 min read · EN
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A Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai, a China lançou na semana passada uma ofensiva diplomática para atrair o sul global. Xi Jinping prometeu que os modelos chineses continuarão abertos e gratuitos e anunciou centros internacionais de cooperação para treinar milhares de profissionais de países em desenvolvimento. 29 países já aderiram à nova organização criada por Pequim, entre eles Brasil, Rússia, Indonésia, Paquistão, África do Sul e Venezuela.
Ficaram de fora os Estados Unidos e seus aliados europeus, além da Índia e do Japão. Mesmo assim, segundo analistas ouvidos pelo Financial Times, é uma oferta que muitos governos terão dificuldade de recusar. O anúncio vem num momento de euforia no setor chinês. A Moonshot lançou o Química 3, modelo que já figura entre os melhores do mundo, e a Alibaba prepara o QN 3.8 de desempenho parecido.
Washington reagiu com dureza. Autoridades do governo Trump acusam as empresas chinesas de treinar seus sistemas a partir dos modelos americanos, prática conhecida como destilação, e ameaçam proibir o uso de IA chinesa nos Estados Unidos. Uma proibição, porém, enfrentaria resistência interna. Dezenas de startups americanas pediram ao governo que recue porque os modelos chineses por serem abertos custam uma fra dos concorrentes Como aponta Rishi Iengar da revista Foreign Policy
a aposta chinesa na abertura nasceu da necessidade de contornar o bloqueio americano aos chips avançados, mas segue a lógica industrial que o país já aplicou a painéis solares e carros elétricos, conquistar o maior número possível de usuários para dominar a adoção global. A disputa passa também pelos talentos. Jean Cilin, fundador da Moonshot, doutorou-se nos Estados Unidos e recebeu ofertas da Apple, entre outras, mas preferiu empreender na China.
Para a colunista Jia Jingwu, do Financial Times, o caso revela uma mudança estrutural. Os Estados Unidos perdem cientistas chineses não apenas por terem se tornado menos acolhedores, mas porque a China ficou mais atraente. Mais da metade dos pesquisadores por trás da Dipsy nunca estudou ou trabalhou fora do país Nada disso garante a vitória chinesa, faltam chips para atender a própria demanda
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